sábado, 10 de fevereiro de 2018

A Tragédia do Titanic: os personagens entre a ficção do Cinema e a realidade da História


O dia 15 de abril de 1912 certamente fora marcado por uma das maiores tragédias do século XX: o naufrágio do RMS Titanic. Ainda que tenham passado praticamente 105 anos desde a sua ocorrência, é preciso reconhecer que este catastrófico episódio que vitimou 1514 pessoas continua a despertar o interesse em nossos dias.
A história do RMS Titanic é mais do que conhecida. Construído pela Harland and Wolff Belfast a mando da White Star line por durante quatro anos, o transatlântico rapidamente ficara conhecido por conta tanto de seu tamanho descomunal quanto também de sua enorme beleza. Sua primeira e única viagem fora iniciada no dia 10 de abril de 1912, transladando um contingente de 2435 passageiros de todas as classes, além de uma tripulação de 892 pessoas, do porto de Southhampton, na Inglaterra, em direção a New York, nos Estados Unidos.
O belíssimo Titanic partira então, mas, o que parecia ser uma viagem tranquila, rapidamente se tornou um dos maiores desastres da historia da humanidade. Cindo dias após o seu embarque, o transatlântico acabou colidindo com um iceberg no meio do Oceano Atlântico, naufragando então no dia 15 de abril de 1912. Bom, não irei me alongar sobre os detalhes técnicos que explicariam o naufrágio, haja vista que, até hoje, não se sabe ao certo o que causou seguramente a ruptura do Titanic.
Esta história, decerto, foi levada as telas do Cinema em inúmeras ocasiões. Podemos mencionar uma série de películas, como Saved from Titanic, lançado 29 dias após o seu naufrágio, A Night to remember (1958) e por fim um dos maiores sucessos de crítica e de público da história da Sétima Arte: Titanic (1997) sob a direção de James Cameron.
Quem não se emocionou com o romance trágico da aristocrata Rose Bukater, interpretada por Kate Winslet, e do pobre rapaz Jack Dawson, interpretado por Leonardo DiCaprio, que se apaixonam e vivenciam um “amor proibido” pelas convenções sociais até que a tragédia acaba por vitimar Jack. Aliás, quem nunca se pegou problematizando a morte de Jack? Será mesmo que aquela madeira não comportaria ambos?
Enfim, apesar de se tratar de um romance ambientado em um evento real, a película acaba levando as telas uma série de personagens que realmente existiram. Trata-se de uma serie de figuras ilustres da aristocracia que ocuparam os luxuosos pontos da primeira classe.
Iremos agora demonstrar então algumas dessas personagens e como foram representadas imageticamente na película em questão:

1. Capitão Edward Smith: interpretado por Bernard Hill, se trata do capitão responsável pelo comando do Titanic. Consta-se que esta viagem seria a sua última, antes de sua aposentadoria. Acabou falecendo em meio ao naufrágio do navio.


2. John Jacob Astor: interpretado pelo ator Eric Braeden, se tratava do passageiro mais milionário do Titanic. Também faleceu em meio ao naufrágio.


 3. Margareth Brown: conhecida como a “inafundável” Molly, esta aristocrata acabou sobrevivendo ao naufrágio, sendo reconhecida até hoje por conta de seu ato de altruísmo, ao exigir o retorno do bote em que se encontrava para que fossem resgatadas mais pessoas. Foi interpretada na película pela atriz Kathy Bates.


4. Bruce Ismay: interpretado por Jonathan Hyde, se tratava do gerente da White Star Line. Sobreviveu ao naufrágio, mas acabou ficando conhecido por supostamente ter entrado em um bote, violando assim a preferência por mulheres e crianças.


5. Cosmo Duff-Gordon: interpretado por Martin Jarvis, se tratava de um medalhista olímpico da esgrima. Também sobreviveu ao naufrágio.


6. Thomas Andrews: interpretado por Victor Garber. Foi o engenheiro que projetou o Titanic. Acabou falecendo no naufrágio.


Outras tantas pessoas reais foram representadas na película. Suas fotos podem ser rapidamente encontradas em uma busca pela Internet. Em comum, todos os personagens eram membros da aristocracia.

Fonte das imagens: https://observatoriodocinema.bol.uol.com.br/listas/2017/12/10-personagens-de-titanic-e-suas-contrapartes-da-vida-real

Ass. Rafael Prata
Doutorando em História na Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT)

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

O Filme “proibido” do comediante Jerry Lewis: “O Dia em que o palhaço chorou” (1972)

        
          Não precisamos ratificar o óbvio: Jerry Lewis (1926-2017) foi um dos maiores comediantes da história do cinema. Seus inconfundíveis personagens, sempre marcados por suas condutas desastradas e por nutrirem sempre uma profunda ingenuidade diante das mazelas e das corrupções do mundo, marcaram o gênero da comédia cinematográfica, principalmente durante as décadas de 1950-1970. Filmes como “O Mensageiro Trapalhão” (1960), “O Terror das Mulheres” (1961), “O Professor Aloprado” (1963), dentre outros, obtiveram um enorme sucesso de crítica e de público, alavancando ainda mais o sucesso de Jerry Lewis como um dos maiores cômicos de sua época e certamente de toda a história do cinema.

Jerry Lewis em "O Professor Aloprado" (1963)

         A emergência dos anos 1970 traria, no entanto, a ocorrência de um acontecimento marcante na carreira de Lewis: o arquivamento de um filme por vontade própria.
Tudo começou quando Lewis, no auge, passou então a procurar roteiros de filmes que fugissem bastante de tudo aquilo que havia produzido, dirigido e atuado em sua carreira. Como consequência desse expediente, o comediante acabou entrando em contato com um argumento fílmico produzido por Joan O´Brien e Charles Denton, sob o título de The Day the Clown Cried,  em suma, O Dia em que o Palhaço Chorou.
         Ao ler o argumento, o comediante não teve dúvidas: se trataria de algo inédito em sua carreira. Até então acostumado com a produção de  comédias urbanas, o comediante então vislumbrara a oportunidade de produzir e atuar em um filme de comédia dramática ambientada em um contexto histórico recentemente vivenciado.
         Tratava-se da possibilidade de reprodução da história de um palhaço chamado Helmut Doork que, vivendo durante os anos da Segunda Guerra Mundial, acaba sendo confinado em um campo de concentração após efetuar gozações frente à figura de Adolf Hitler. Não satisfeitos com a punição, os chefes do campo de concentração impõem como função primordial desse palhaço, o dever de entreter as crianças judias em seus percursos até as câmaras de gás.
         Empolgado com a possibilidade de rodagem deste filme que alteraria os rumos de sua carreira, o comediante Jerry Lewis passou então a se preparar para a atuação, passando então a visitar alguns dos campos de concentração do regime nazista, como o de Aushwitz e Dachau.

Jerry Lewis durante a gravação de O Dia em que o Palhaço chorou.

         Tudo estava preparado. O Filme passou a ser rodado então a partir do ano de 1972. Porém, com o passar dos dias de filmagem, o comediante Jerry Lewis acabou sendo acometido de um forte sentimento de arrependimento. Passou a considerar uma “péssima ideia” a realização da película em questão. Como tratar de um tema tão dolorido como o holocausto por meio da comédia?!
         O filme foi então abruptamente interrompido e arquivado por Jerry Lewis. À vista disso, se tornou também uma espécie de “assunto proibido” nas entrevistas e conversações travadas perante o comediante. Em uma entrevista recentemente dada, em 2013, no Festival de Cannes, o comediante Jerry Lewis, quando indagado sobre a misteriosa e inacabada película, respondera que: “É mau, mau, mau. Poderia ter sido poderoso, mas escorreguei”.
         A desilusão de Jerry Lewis com a película se fazia de tal grandeza que o próprio proibiu a sua reprodução durante a sua vida. Mesmo após ceder uma cópia do filme a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, Jerry Lewis determinara que o filme somente poderia ser aberto ao público após dez anos de sua morte.

Jerry Lewis durante a realização do filme. 

         Jerry Lewis falecera em 2017, aos 91 anos de idade, por conta de uma doença cardiovascular. É possível que em 2027 tenhamos a oportunidade de assistirmos a esta tão polêmica obra cinematográfica produzida pelo comediante em questão.
Há quem diga que o que Lewis fizera não se distanciara do que Roberto Benigni orquestrara no seu “A Vida é Bela”(1997), quando o diretor e ator se utilizara da comédia para contar a história de um pai que procura, a todo custo, criar um ambiente lúdico de jogos e brincadeiras para o seu pequeno filho, a fim de distanciá-lo dos horrores da guerra.

O Dia em que o Palhaço chorou.

Resta aguardar o ano de 2027. Mas fica a pergunta em questão: é possível trabalhar temas tão profundos, complicados e doloridos através do artifício da comédia? Trata-se de um erro? Uma falta de respeito? Ou não?

Ass. Rafael Prata
Doutorando em História na Universidade Federal de Mato Grosso

domingo, 29 de janeiro de 2017

Vera Clouzot: Uma grande estrela “sergipana” do Cinema Francês


 Tudo bem. Antes que me apontem o “erro”, conheço o fato de que Vera Gibson Amado – ou Vera Clouzot para o público cinematográfico francês – nascera no Rio de Janeiro no dia 30 de dezembro de 1913. Era, portanto, carioca.
Vera Clouzot

       Mas, corria em suas veias o sangue sergipano. Vera era filha de Gilberto Amado, um renomado intelectual brasileiro nascido em Estância, Sergipe, no ano de 1887. Oriundo de uma família de escritores, Gilberto Amado – primo do baiano Jorge Amado – fora um advogado, diplomata, escritor, jornalista e político brasileiro de reconhecida influência no cenário nacional da primeira metade do século XX, tendo atuado como deputado federal por Sergipe em 1934, diplomata a serviço do Ministério das Relações Exteriores em 1936, ex-presidente do Comitê de Direito Internacional na ONU, dentre tantas outras funções ocupadas.

Gilberto Amado

Em 1911, Gilberto Amado casara-se com a pernambucana Alice do Rego Barros Gibson com quem passara a residir no Rio de Janeiro. Dois anos após a realização deste matrimônio, nasceria então Vera Gibson Amado.
A trajetória da jovem Vera no Cinema se iniciaria de maneira surpreendente, após esta iniciar um relacionamento com o ator Leo Laparet, um artista francês que se encontrava em turnê pelo Rio de Janeiro com a companhia de teatro Louis Jouvet, em 1941.  Após casar-se com Leo Laparet, Vera Gibson Amado acabou por se mudar com seu cônjuge para Paris em 1947, onde passara a acompanhar o seu marido durante as gravações dos filmes em que este participara.
Foi assim que numa dessas filmagens, a atriz acabou conhecendo no set de filmagem o diretor Henri-Georges Clouzot, um dos maiores cineastas franceses de todos os tempos, especialista no gênero suspense. Apaixonada, Vera separou-se de Leo Laparet, para casar-se com Henri-Georges Clouzot em 15 de janeiro de 1950.

Henri-Georges Clouzot e Vera Clouzot

Firmado o matrimônio, a outrora Vera Gibson Amado, se torna então Vera Clouzot, a musa e principal atriz dos filmes de Henri-Georges Clouzot. Sua primeira atuação ocorrera na película “The Wages of Fear” (1953), quando passara a receber de imediato uma série de elogios da crítica especializada.
Todas as atuações de Vera Clouzot ocorreram nos filmes de Henri-Georges. Com ele, atuara também em “O Salário do Medo” (1953), “As Diabólicas” (1955), “Os espiões” (1957) e “A Verdade” (1960).

Vera Clouzot em  "As Diabólicas" (1953)

A carreira da jovem e promissora Vera Clouzot acabou por ser drasticamente interrompida em 1960, o que explica a sua curta filmografia, após esta ter sido acometida por um ataque cardíaco que a levou a óbito aos 47 anos de idade.
De uma beleza singular e caracterizada por atuações fortes e marcantes, Vera Gibson Amado, ou, Vera Clouzot, é recordada até hoje como uma das maiores atrizes de todos os tempos do cinema francês.

Ass. Rafael Prata
Mestre em História pela Universidade Federal de Sergipe
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