quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

[TOP10] Os cachorros mais marcantes da história do Cinema

O velho e certeiro ditado afirma “o cão é o melhor amigo do homem”. Poderíamos ampliar tal verdade para todos os animais, haja vista que não somente os cachorros são fiéis aos seus donos, como também os gatos, os papagaios, lagartixas, e etc.
        Mas não dá para negar que os cachorros possuem uma proximidade frente ao seu dono que chama a atenção. Quem cria sabe bem como é a questão. Ciente disso tudo, eis que a industria cinematográfica procurou se apropriar da “atuação dramática e cômica” destes animais desde sempre, fazendo com que os cachorros se tornassem rapidamente célebres personagens de inúmeros filmes consagrados da indústria hollywoodiana.
        Com esta postagem, apresentaremos então um breve Top10 dos cachorros mais marcantes da história do Cinema. Obviamente que muitos outros ficaram de fora da lista, mas vamos lá!

    1.    Totó de “O Mágico de Oz” (1939)

Com certeza Totó é o cãozinho mais famoso da história do Cinema. Fiel companheiro de Dorothy, Totó, da raça Cairn Terrier, parte com sua dona para desvendar os mistérios do mundo de Oz, após serem levados do Kansas por um violento tornado.


Totó e Dorothy (1939)


   2.   Scraps de “Vida de cachorro” (1918)

Até Chaplin se rendeu aos encantos caninos nos seus filmes. Na película “Vida de cachorro”, o cômico contracena com Scraps, um vira lata que praticamente é a estrela de todo o filme. O cachorro, após ser atacado por outros cães, acaba sendo resgatado por Carlitos, e com ele passa então por uma série de aventuras durante todo o filme, emocionando também pelas demonstrações de carinho.

Scraps e Chaplin (1918)


    3.   Lassie de “Lassie – a força do coração”(1943)

A cadelinha mais famosa da história do Cinema e da TV norte-americana, Lassie não só foi protagonista de filme como também de um dos mais famosos seriados americanos. Em 1943, a cadelinha da raça Collie contracenou com a jovem Elisabeth Taylor no filme “Lassie – a força do coração”, um sucesso de público e de crítica, que rapidamente a converteu em uma estrela da história do Cinema.

Lassie e a jovem Elisabeth Taylor (1943)


    4.   Rin Tin Tin em “Procura teu dono” (1924)

    Talvez eu tenha cometido um equivoco nesta lista, pois Rin Tin Tin mereceria muito bem o primeiro lugar neste TOP10, pois, de todos os cachorros listados, é o único a possuir uma estrela na calçada da fama em Hollywood, e como também a ter a carreira mais longa com inúmeros filmes. Certo é que entre 1920 e 1930, o pastor alemão participou – como protagonista – de mais de 20 filmes, sendo um “mito” até hoje do Cinema.

Rin Tin Tin: uma grande estrela dos anos 1920/1930


    5.   Beethoven em “Beethoven – o magnífico” (1992)

Um grande sucesso de público e de crítica. Beethoven é disparado o cachorro mais conhecido dos anos 1990. O  enorme e desastrado cachorro da raça São Bernardo lotou as salas de cinema, dando origem a uma quadrilogia de filmes a seu respeito. Grande sucesso!

Beethoven: o São Bernardo mais famoso dos anos 1990


    6.   Marley de “Marley e Eu” (2008)

Esse provocou muitas lágrimas no público. Marley, o pequeno labrador, se tornou sucesso de público em todo o mundo ao narrar a história do cachorrinho Marley no seio de sua família, desde os seus primeiros dias, até  o seu triste falecimento.

Marley: esse fez muitos chorarem...


    7.   O “cão” de “O Artista” (2011)

Eis outro cachorrinho de enorme sucesso recente no Cinema. Uggie, um pequeno cachorro da raça Jack Russel, fez enorme sucesso ao participar da película “O artista”, tendo recebido inclusive o “coleira de ouro” e um “palme dog” por sua atuação. Sucesso total!

Uggie, a estrela da película "O Artista".


    8.   Hachiko de “Hachiko – amigos para sempre” (2009)

Mais um cachorrinho das películas do tipo “faça chorar”, Hachiko emocionou o público ao contracenar uma bela, porém triste história de companheirismo com o personagem de Richard Gere. Se for assistir, prepare os lenços pois o Akita te fará chorar muito!

Hachiko: outro que marcou pelo "efeito lágrimas"...


    9.   Cujo de “Cujo” (1983)

Para não dizer que os cachorrinhos só produzem risadas e lágrimas, vale destacar a atuação do São Bernardo na película “Cujo”, marcante por se tratar de um filme de terror. Neste, Cujo protagoniza como símbolo de agressividade de um cachorro que se torna uma fera assassina após contrair raiva.

Cujo: a fera!!


     10. O “Cão branco” de “Cão Branco” (1982)

Mais um exemplar de atuação assombrosa de um cachorro. O cão branco da película de Samuel Fuller é um pastor alemão que após ser adestrado por racistas americanos, passa então a atacar pessoas negras. Grande filme que discute muito bem o racismo. Grande atuação do cachorro!

O cão branco: uma metáfora para o racismo

Menção Honrosa: Verdell de “Melhor é Impossível” (1997), Milo de “O Máscara” (1994), K-9 de “K-9: um policial bom pra cachorro” (1989), Hooch de “Uma dupla quase perfeita”(1989), Sam de “Eu sou a lenda” (2007), Benji de “Benji” (1988), etc etc...

Ass: Rafael Prata
Mestrando em História pela Universidade Federal de Sergipe

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Mario “Cantinflas” Moreno: o "homem mais engraçado do mundo", por Charles Chaplin



De certa forma, o falecimento do genial comediante e roteirista mexicano Roberto Gómez Bolanos acabou por “reacender” a memoria em torno de outra grande figura cômica mexicana: Mário “Cantinflas” Moreno. De imediato,  uma grande quantidade de textos acabaram sendo criados na maioria das vezes com o propósito de colocar em debate uma certa comparação entre ambos os cômicos, para saber “quem foi o maior” entre eles.
Conversa vai, conversa vem, e a polêmica, totalmente desnecessária, permanece sem resposta. O que dá para responder, e isso sem sombra de dúvidas, é que ambos os cômicos representam o supra-sumo da chamada comédia de “crítica social” mexicana. Certamente Cantinflas e Bolanos foram os maiores expoentes desse gênero, possuindo, entre suas particularidades, mais aproximações do que diferenças no modus operandi de fazer comédia, e isso explica a amplitude que obtiveram em suas carreiras, as quais, de certo modo se encaminhariam por vias um pouco “diferentes”: Bolanos, apesar de ter participado de filmes, foi um gênio da comédia televisiva, enquanto que Cantinflas foi um genial cômico dos cinemas mexicanos.
     Mas quem foi Mário Moreno, o “Cantinflas”? Nascido na Cidade do México em 1911, Mário Moreno foi o maior comediante cinematográfico mexicano, tendo sido apontado por nada mais, nada menos que Charles Chaplin, que o conhecera pessoalmente, como o  “homem mais engraçado do mundo”.

Cantinflas, o alter ego de Mário Moreno

     Seu apelido “Cantinflas” teria nascido da expressão “cuan inflas”, que em outras palavras seria o resultado de uma característica de seus personagens: falar muito, se embolar em meio as palavras, e no fim não falar nada.
     Oriundo do mundo dos circos populares, Cantinflas levou para as telas do cinema mexicano, a mais pura expressão da realidade social da qual ele próprio nascera, o que explica a sua ascensão rápida e o sucesso em meio ao público popular. Seus personagens quase sempre representavam o mesmo modelo: um sujeito simples, esperto e de bom coração que em meio a sua ingenuidade procura subir na vida por meio de seus próprios esforços.

"Se eu fosse deputado", um dos clássicos filmes de Cantinflas

     O Cinema de Cantinflas é sobretudo um cinema de extrema crítica social. Películas como “Se eu fosse deputado”(1951) e “O Analfabeto” (1961), além de outras tantas películas, dão a tônica exata de sua produção cômica permeada de olhares críticos, onde a miséria, a fome, a pobreza, os desmandos políticos e a educação aparecem sempre em primeiro plano.
     Cantinflas era o Carlitos Chapliano de Mario Moreno. Seu sucesso foi tamanho que em 1956 o comediante foi convidado para participar do aclamado filme hollywoodiano “A Volta ao mundo em 80 dias”, baseado na clássica obra de Julio Verne, quando ganhou o “Globo de Ouro” para melhor ator, surpreendendo e abrindo os olhos do mundo para aquele genial comediante.

Cantinflas em "Volta ao Mundo em 80 dias" (1956)

     Quem foi mais genial? Não sei, e sinceramente não me preocupo em achar uma possível resposta para tal. Ambos foram sensacionais em seus campos de atuação, moldando um cinema crítico e de enorme amplitude frente a sociedade. Aliás, ambos chegaram a trabalhar juntos, pois em 1966, Cantinflas chegou a escolher os roteiros de Bolanos para uma série televisiva chamada “Os Estudios de Cantinflas”, mas a série acabou não saindo do papel.
     Cantinflas faleceu em 1993, com câncer de pulmão, mas até hoje sua fama permanece no México, e além dele. Nesse próximo ano de 2015, o cinema mexicano disputará ao “Óscar de Melhor filme estrangeiro” com a película “Cantinflas – a magia do Cinema”. Nada mais justo para quem foi tão genial.



sábado, 20 de dezembro de 2014

"No vale das sombras" (2007): sobre os traumas, as feridas e a desumanização decorrentes das guerras

          Uma típica criança, minutos antes de dormir, ao ouvir uma famosa história bíblica indaga então ao seu interlocutor, com toda a curiosidade e sapiência infantil, porque o Rei de Israel permitira que o pequeno e jovem Davi enfrentasse o temível e grande Golias. O Senhor que contava-lhe a história, explica-lhe então que não há como responder. A criança percebia assim talvez o traço menos abordado e possivelmente mais polêmico da história em questão.
      
A metáfora do confronto entre Davi e Golias se apresenta como fundamental no decorrer de toda a película “No Vale das sombras”, dirigida pelo cineasta Paul Haggis, em 2007. Haggis ficara famoso um ano antes deste, quando em 2006 ganhara duas estatuetas do Óscar de “Melhor Filme” e “Melhor Roteiro” por conta do excepcional “Crash”, película esta que abriu a linha temática de um polêmico diretor engajado, disposto a discutir as mazelas e as feridas existentes na sociedade norte-americana, por detrás de todo o suposto “american way of life”.
         Em “No vale das sombras”, Haggis, que além de diretor foi o roteirista, discute um outro ponto bastante polêmico para a sociedade norte-americana, cujos debates ainda que se acentuassem, ainda encontravam certo esquecimento: as mazelas emocionais provocadas pelas guerras e a famigerada política externa norte – americana.
         Partindo destas premissas, a película procura discutir de maneira bastante crítica a natureza da política externa norte-americana durante a chamada “Caça ao Terror” no Iraque, abordando inúmeras questões decorrentes da mesma: a convocatória de jovens para o exército, o encontro com a violência em sua face da barbárie bélica, as mazelas emocionais provocadas pela guerra e o retorno doentio destes combatentes para os Estados Unidos, a falta de auxilio do Estado frente aos mesmos diante de tais consequências, e como também, o estado de desumanização provocada pela guerra nos soldados americanos no trato com a população das regiões em conflito.
        
Fica visto que muitas questões são discutidas no filme. Todas elas aparecem diretamente, e em alguns casos, como subtexto da película. Ao narrar a história de um ex-militar que parte em busca do seu filho, o qual, ao retornar da Guerra do Iraque para os Estados Unidos acaba por desaparecer, nos leva então a refletir sobre os horrores provocados pela guerra durante sua execução e após o seu “possível termino” no que se refere aos reflexos emocionais.
         Vale muito assistir o filme.. Tratei de não apresentar os fatos da história para não prejudicar a reflexão daqueles que porventura irão assisti-lo. Por fim, o grande ponto que reúne todos os debates e reflexões que Paul Higgis realizou na película se resume novamente na metáfora de Davi e Golias, e a dúvida da criança: Porque o próprio Rei – o presidente – não foi lutar contra Golias?! Porque ele envia os jovens para combatê-los?! Porque a guerra é feita de crianças?!

Ass. Rafael Prata
Mestrando em História na Universidade Federal de Sergipe

domingo, 7 de dezembro de 2014

Roberto Gómez Bolaños (1929-2014): o dia em que “Chespirito” me fez chorar.

No recente dia 28 de novembro de 2014 fomos noticiados daquilo que, por mais que soubéssemos que chegaria o dia, tardávamos para não ouvir: a noticia do falecimento do genial comediante mexicano Roberto Gómez Bolaños. Por mais absurdo ou exagerado que possa parecer, algumas pessoas lamentaram, sentiram e choraram a morte como se tivessem perdido a alguém próximo, um familiar ou um amigo.
Fui um deles. Vi a noticia. De imediato não acreditei, pois achei que se trataria de mais um dos inúmeros boatos que reiteradamente se espalhavam pela net informando uma falsa morte de Bolaños. Mas então veio o choque de realidade: dessa vez era verdade. Sai da frente do computador, pensei em descer do andar do meu quarto, quando me dei conta que o meu rosto estava “suado”.  Foi quando notei que sentia o peso das lágrimas caindo pelo rosto. Mais do que o mero peso das lágrimas, passei a notar mais ainda o quanto sou fanático e admirador daquele homem que acabava de partir.


Em letargia, comecei então a procurar dentro de mim os motivos para tal “choro”. Vi então que Bolaños tinha sido um “parente próximo” tão presente no decorrer de toda a minha vida. Lembrei-me das inúmeras tardes em que passei assistindo a Chaves e Chapolin com os meus primos; lembrei também das fitas VHS que pedia emprestado aos meus primos Thiago e Juninho quando assistia então incessantemente sem parar aos episódios de Chapolin durante a minha infância, atropelando inclusive as horas da madrugada e  conseguindo vencer assim na sua companhia toda a minha eterna insônia.
Lembrei-me também da minha infância na Atalaia Nova. Naquele ambiente, tinha a minha disposição uma bela praia para “jogar bola”, mas somente partia nesse sentido após assistir pela milésima vez ao episódio de Acapulco. Assistindo a esse episódio sentia uma vontade de ir a praia estando paradoxalmente na praia. Queria estar em Acapulco.
Notei também que o peso da idade ia chegando, mas que a companhia da trupe de Bolaños continuava. Dos meus 5 aos 25 anos atuais, a evidência de que continuava a assistí-los como se fosse a primeira vez. Uma espécie de subterfúgio, a procura pela nostalgia da infância, da simplicidade, do humor puro... ou por algum outro motivo... o certo é que ali chorei por algum ou certamente vários motivos. 


Bolaños era gênio. Mais do que “só” um genial comediante, foi também um sensacional roteirista. Escrevia de tudo e com absurda qualidade, daí o seu apelido de “Chespirito”, uma alusão a Shakespeare e a sua pequena estatura. Nenhum outro em toda a América Latina conseguiu o que Bolaños conseguira. Era, foi e continuará sendo adorado por todos os países da América Latina. Bolaños talvez tenha sido o único ponto em comum em todos os países latinos. Todos o conheciam.
Foi justamente por isso que não somente o México parou no dia 28 de novembro de 2014. Os demais países da América Latina também. Talvez nenhum outro artista tenha conseguido a façanha de ser tão adorado em tantos países. A simplicidade com que abordava questões do cotidiano social desses países talvez possa explicar a adoração sobre Bolaños.

Despedida de Bolaños no estádio Azteca: 40 mil pessoas.

Posso ter exagerado nesta postagem, mas fui sincero. Outras pessoas devem ter chorado também. Cada um com seus motivos particulares. Chorei porque Bolaños foi parte substancial da minha infância, estando inclusive em momentos difíceis da mesma quando me exilava nos episódios de Chapolin como uma espécie de “fuga da realidade”.
Como fanático pelo gênero cômico também chorei porque, do ponto de vista técnico, acabava de perder um dos meus maiores ídolos, o qual sempre residiu no meu panteão sagrado da comédia juntamente com Charles Chaplin e Buster Keaton. Acabava de falecer o criador do Chaves, aquele menino pobre tão típico das localidades de toda a América Latina, do Chapolin, aquele herói magrelo e medroso cuja bondade e a vontade de ajudar ao próximo era seu único "super poder". Morria também o homem que criticava o intervencionismo e o imperialismo americano por meio do “SuperSam”, personagem de Chapolin, e igualmente uma das pessoas que fizeram nascer em mim o gosto pelo cinema justamente por conta dos episódios na qual o mesmo encenava cenas de filmes clássicos nos episódios de Chapolin.


Morria assim Bolaños. Chorei por vários motivos de maneira que seria impossível listar-los aqui. Mas a obra é eterna, como dizem. Minha sobrinha Júlia de apenas 5 anos não perde a um dos episódios de Chaves. Seu quarto é decorado com um boneco de pelúcia do mesmo. Quantas gerações assistiram e continuarão a assistir Chaves?!

Precisa mesmo explicar porque Bolaños era tão genial?! O pequeno Rafael assistia em meados de 1996, e a pequena Júlia assiste em 2014. No Peru, Uruguai, Venezuela, Paraguai, Argentina, Equador, outros tantos continuam a assistir...
Eu sei que Bolaños diante de sua missão de nos fazer rir não desejaria ver a sua culpa no choro de milhões por toda a América Latina. Perdoe-nos Bolaños, foi praticamente impossível segurar o choro... “Foi sem querer querendo”. 

Muito obrigado por tudo mesmo! 

Ass. Rafael Prata
Mestrando em História pela Universidade Federal de Sergipe

sábado, 22 de novembro de 2014

O Pagador de Promessas (1962): o único filme brasileiro a ganhar a “Palma de Ouro” em Cannes

Primoroso. Um grandíssimo filme. Talvez o maior filme da história do cinema nacional. Muitas outras adjetivações poderiam ser oferecidas para esse grande clássico – um pouco esquecido e menosprezado até – do nosso cinema.
Passados mais de cinquenta anos de sua exibição, a película “O Pagador de Promessas” continua a ser o único filme brasileiro a ter conquistado a Palma de Ouro de Melhor Filme, o prêmio maior no aclamado Festival de Cannes, sendo reverenciado lá fora como uma das maiores películas já produzidas na história do cinema mundial. De igual maneira, a película concorreu ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro do Óscar de 1963, mas não conseguiu a estatueta.
    De fato esta película dirigida e produzida por Anselmo Duarte, baseada na clássica peça teatral de Dias Gomes, se apresenta como uma grandíssima película dos seus primeiros minutos até o fim de sua exibição. Trata-se de uma obra dramática cuja crítica social aparece com profundidade no decorrer de toda a sua extensão.

A saga de Zé do Burro em direção a Catedral de Santa Barbara em Salvador


O Filme que conta a saga do humilde camponês Zé do Burro que ao tentar cumprir com a promessa de levar uma pesada cruz em seus ombros até a Igreja de Santa Barbara em Salvador, em agradecimento a cura de seu burro, acaba então por se ver embaraçado em uma série de querelas envolvendo a Igreja, a Imprensa, a Policia, o Estado, e etc.

Leonardo Villar como Zé do Burro e Gloria Menezes como Rosa: atuações fantásticas

   Com um arsenal incontável de memoráveis atuações, em destaque Leonardo Villar no papel de Zé do Burro e Gloria Menezes no papel da jovem Rosa, a película efetua uma série de críticas as mazelas da sociedade brasileira, indo desde a crítica ao estado geral de pobreza e negligência do Estado frente a situação do campesinato brasileiro, passando por questões de intolerância religiosa, de reforma agrária até a discussão em torno do tratamento sensacionalista e oportunista oferecido pela mídia aos fatos diários.
         Eis um grande clássico que não pode ser esquecido! 

Ass. Rafael Prata
Mestrando em História na Universidade Federal de Sergipe

sábado, 1 de novembro de 2014

Uma tragédia que se tornou um “filão cinematográfico”: o Titanic nas telas do Cinema

Todo mundo hoje em dia conhece a trágica história do “maior navio do mundo” que, ao se chocar com um iceberg, acabou afundando no Atlântico Norte, na noite do dia 15 de abril de 1912. Esse fato real acabou se tornando mais conhecido ainda, graças principalmente a monumental película dirigida e produzida por James Cameron, em 1997, um sucesso absoluto de público e de crítica, tendo obtido o record em indicações e estatuetas obtidas.
Mas muito antes da aclamada película de James Cameron, outros tantos filmes deram a sua versão acerca do ocorrido, sendo o primeiro deles inclusive, filmado dias após a tragédia, demonstrando o quanto o evento chocou a todos, e de outra maneira, como de imediato se tornou um “enredo” apreciável pela industria do Cinema.

Assim foi então que 29 dias após o naufrágio, foi produzido o curta-metragem mudo “Salva do Titanic”(1912), do diretor Etienne Arnnaud, de apenas dez minutos, que conta a história de Dorothy Gibson, uma atriz que realmente estava no Titanic, mas conseguiu salvar-se, de modo que, em tal película, interpretou a si mesma.
No mesmo ano de 1912, outra película sobre a tragédia também foi produzida. O Filme “Na Noite e no Gelo”, dirigido por Mime Misu, também se apresentou como um curta-metragem com pouco mais de 30 minutos, destinado a descrever os minutos filmes da tragédia, em suma, o choque do Titanic com o iceberg e o seu afundamento.
30 anos se passaram então até que um novo filme fosse produzido sobre a tragédia do Titanic, quando no ano de 1943, foi produzido o primeiro longa-metragem falado, intitulado “Titanic”, de direção de Herbet Selpin. No entanto, a película acabou sendo proibida no pós-segunda guerra, pois, tal produção alemã acabava por fazer uma propaganda ao regime nazista e uma ácida crítica ao governo inglês no decorrer do desenvolvimento do filme.

Dez anos após, o “Titanic” desembarca em Hollywood. Foi apenas em 1953, que o tema foi apropriado pelo Cinema Norte- Americano com a produção da película “Titanic” do diretor Jean Negulesco, produção esta que contou com várias estrelas do cinema americano como Barbara Stanwyck e Thelma Ritter. No entanto, a película ficaria famosa também pela “enorme liberdade poética e histórica” na qual o filme foi produzido, em outras palavras, pela grande quantidade de erros históricos.
Em 1958, uma outra película foi levada as telas: “Somente Deus por Testemunha”, de direção de Roy Baker, também procurou dar a sua versão frente ao ocorrido. Outras tantas películas se seguiram, como “S.O.S Titanic” (1979), “O Resgate do Titanic” (1980), etc.
No entanto, não há duvidas de que a grande película sobre este trágico evento seja a película “Titanic”, dirigida e produzida por James Cameron em 1997, um grande sucesso de público e de críticas. Na película, o romanceado casal Jack Dawson, um rapaz pobre, e Rose deWitt, uma moça da aristocracia, vivem raros momentos de amor até a separação frente ao iceberg. A monstruosa película recebeu 14 indicações ao Óscar, tendo vencido em 11 categorias, uma delas, obviamente, a de “Melhores efeitos especiais” e “Melhor Fotografia”.

Titanic, dir.James Cameron, 1997.

Ainda hoje muitos filmes e series continuam a ser produzidos sobre a tragédia do Titanic. Muito em conta do seu “apelo trágico” e pela capacidade de se colocar como um “bom pano de fundo” de romances impossíveis.

Ass. Rafael Prata
Mestrando em História na Universidade Federal de Sergipe 

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Alfred Hithcock e os "maus-tratos" de suas louras: Uma verdade ou apenas um mito cinematográfico?

Alfred Hithcock(1899-1980) foi certamente um dos maiores cineastas de todos os tempos. Suas películas de suspense, thriller, drama, etc, fizeram deste cineasta britânico, um exemplo a ser seguido no que tange a perfeição cinematográfica. Aliás, perfeição é uma palavra que remete realmente diretamente a sua figura, pois, Hithcock era, no uso de um termo chulo, aquele cineasta “chato”, disposto sempre a somente terminar o dia de filmagens, quando tudo havia corrido como imaginado em sua mente perfeccionista.
No afã desse seu perfeccionismo, tem quem defenda, hoje em dia, que o cineasta tenha sido bastante “carrasco” no trato dos artistas, principalmente, em relação as atrizes. Conta-se que, quando indagado em relação a esse aspecto, Hithcock teria justificado que “era preciso torturar as mulheres” para se conseguir a produção de uma boa trama.
Hoje em dia, uma série de estudiosos e biógrafos do cineasta tem discutido a veracidade desse suposto tratamento obsessivo e até perverso de Hithcock em relação as suas “louras”, as protagonistas de boa parte de suas películas. Alguns tem defendido veementemente esse “modus operandi” de Hithcock, e outros tem matizado tal questão, postulando que se criou um mito cinematográfico exagerado em torno disso.

Nunca saberemos ao certo, mas o fato inegável é que Hithcock nutria uma espécie de predileção (obsessão?) por atrizes louras, sempre escolhidas como as protagonistas ideais para os seus mais diversos filmes. Durante os anos 1950-1960, e nos demais também, poderiamos listar uma série de grandes atrizes nesse rol; Ingrid Bergman, uma das maiores atrizes da história do Cinema, foi a preferida de Hithcock durante os anos 1940. Como protagonista, Ingrid participou das películas “Interlúdio” (1946), “Sob o Signo de Capricórnio” (1949) e “Quando fala o coração” (1949).
 Gracy Kelly, a futura Princesa de Mônaco, foi a preferida de Hithcock nos anos 1950. Trabalhou com ele em “Disque M para Matar”(1954), Janela Indiscreta(1954) e Ladrão de Casaca(1955), até que, para grande desgosto de Hithcock, a atriz abandona o Cinema para se casar com Rainier III, o príncipe de Mônaco.

Gracy Kelly e Hithcock

Kim Novak, que participou da película “Um corpo que cai” (1958) teria sido uma das “louras” que mais sofreram nas mãos do machismo de Hithcock. Nas gravações da película, Hithcock supostamente não abria espaços para a conversa com a atriz, outorgando sua vestimenta, a repetição cansativa de inúmeros takes,e etc. Outra loura imortalizada por uma participação em película de Hithcock foi Tippi Hedren, que ao protagonizar o clássico “Os Passaros” (1963) também teria sido vitima dos “excentrismos” do cineasta. Conta-se que, o cineasta, para que a atriz pudesse “assimilar” o horror e o sentido do filme, teria trancado-a em um quarto com uma grande quantidade de pássaros, sem espaço algum para a fuga. E por fim, outra das louras hithcockianas foi Janet Leigh, a qual protagonizou a clássica cena do chuveiro em “Psicose”(1960).


Tippi Hedren, a "loura" dos pássaros de Hithcock

Os estudiosos de Cinema e os biógrafos de Hithcock tem ainda divergido acerca da realidade dessa questão. Algumas dessas atrizes citadas, como a própria Kim Novak, ainda viva, tem confirmado esse “lado” de Hithcock. Ao que parece, o “mestre do suspense”, caso tal questão tenha sido mesmo verdadeira, agia com um forte machismo, e alguns biógrafos, tem apontado que tal postura seria fruto de uma espécie de amor e ódio que o cineasta nutria por suas protagonistas, resultado da impossibilidade de, no plano prático, possuí-las.
Hithcock era casado com Alma Reville, com a qual permaneceu durante toda a sua vida, tendo sido esta uma figura importantíssima durante toda a sua carreira cinematográfica. Recentemente a película “Hithcock”(2012), na qual Anthony Hopkins e Hellen Mirren interpretam ao casal, o cineasta Sasha Gervasi discute sobre essa suposta natureza machista de Hithcock em relação as suas louras, dentre outras questões.
Tal polêmica ainda se encontra em aberto, e dificilmente se chegará a um consenso, se há uma verdade crua e indesejável do mestre do suspense, ou um mito cinematográfico por demais reproduzido.

Att. Rafael Prata
Mestrando em História pela Universidade Federal de Sergipe

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

[Futebol e História] Francisco Carregal: o primeiro jogador negro do Brasil

Em tempos em que se tem discutido o racismo na sociedade brasileira, e também em todo o mundo, e sua “manifestação” dentro dos campos de futebol, quando uma série de jogadores tem sido alvo de horrendas manifestações racistas, como a ocorrida recentemente com o jogador Aranha, goleiro do Santos, por parte de uma torcedora gremista, convém destacar aquele que deve ter sobremaneira enfrentado com toda força, o peso de uma sociedade altamente racista: Francisco Carregal, o primeiro jogador negro do Brasil.
O Futebol, aos príncipios do século XX, era visto como “esporte de branco”, de uma elite aristocrática que passara a praticar o esporte importado por Charles Miller de terras britânicas. Assim, boa parte dos clubes amadores que passam a se formar, são compostos basicamente por homens brancos, filhos de uma elite, sendo praticamente vedada a participação de negros na composição dos times.
No entanto, consta-se que em 14 de maio de 1905, esse “tabu” foi quebrado, ao menos em uma partida. Foi quando o Fluminense, clube paradigmático da aristocracia carioca da época, enfrentou ao Bangu no jardim da Fábrica Bangu, tendo o primeiro vencido a partida por 5 a 3.

Francisco Carregal com a posse da bola

No meio dos jogadores do Bangu, estava o operário negro Francisco Carregal, atuando entre os brancos jogadores de ambos os times. O tecelão da Fábrica Bangu, se tornou, portanto, o primeiro jogador negro de nosso país.

Curiosamente, o Fluminense, o time adversário que protagonizou tal “quebra do tabu”, ficaria famoso posteriormente também por um caso envolvendo a um jogador negro, tendo inclusive obtido um certo apelido por conta do episódio. Tudo aconteceu em 1915, dez anos depois, quando o clube aristocrata aceitou em seu escrete a adesão de um jogador negro de nome Carlos Alberto. O jogador, em sua estreia, procurando “disfarçar” sua cor, por medo do preconceito, acabou se utilizando do artificio do “pó de arroz”, mas no decorrer do jogo, diante do suor, tudo se desmanchou, de modo que, a torcida adversária de imediato começou a gritar “pó de arroz”, expressão que de imediato viraria apelido da equipe.
Outro clube carioca, no entanto, ficaria famoso por conta de sua luta contra o preconceito: o Vasco da Gama. O Time da Colina foi o primeiro clube a se revoltar contra o preconceito existente no seio futebolístico, quando no ano de 1924, o Vasco, formado por uma grande quantidade de jogadores negros, foi alvo de uma tentativa de afastamento do campeonato carioca por ação dos demais clubes cariocas. Como reação, a equipe cruzmaltina publicou um manifesto direcionado a associação de atletas, apresentando seu repudio tanto ao preconceito quanto as tentativas de afastamento.

Os "desclassificados" seriam justamente os jogadores negros do elenco vascaino

Do começo do século XX para cá, a situação obviamente que mudou muito. No entanto, o racismo ainda é, infelizmente, uma parte presente da sociedade, não somente a brasileira, como também de outras nações do mundo. Uma chaga que se recusa a deixar de existir. No fundo, o Futebol se apresenta como mais um espelho da sociedade, que reflete todas as suas mazelas, seus preconceitos. Sonhemos com o dia em que não veremos mais essa triste série de acontecimentos envolvendo atletas, desde o aqueles ocorridos em nosso país – Aranha, Grafite, etc -, como também os ocorridos em solo europeu – Daniel Alves, Roberto Carlos, etc - , e que isso aconteça no âmbito geral de todas as sociedades, em outras palavras, lutemos para que o esperado dia em que o preconceito será extinguido, se torne cada vez mais próximo!
Ass. Rafael Prata
Mestrando em História na Universidade Federal de Sergipe 

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