domingo, 11 de maio de 2014

O “SuperSam” de Chapolin: uma engraçada e inteligente crítica ao histórico intervencionismo norte-americano

Com certeza, o mexicano Roberto Gomez Bolaños foi – e continua a ser – um dos maiores comediantes de todos os tempos. Seu talento ia muito além da interpretação cômica, passando principalmente pela construção de personagens que muitas vezes traziam consigo uma verdadeira crítica social, política, ou de outra ordem.
Em Chapolin, um de seus mais famosos seriados televisivos, na qual interpreta um desastrado e frágil herói que na ausência do necessário dote físico ou de “poderes mágicos” oferece apenas a boa vontade e a solidariedade como instrumento de ajuda, Bolaños nos apresentou um outro personagem caricato de natureza crítica bastante interessante: o SuperSam, interpretado pelo magistral Ramon Valdez.
O SuperSam se apresenta, visível por sua vestimenta, como uma clara mistura entre a figura do Tio Sam, o símbolo histórico dos Estados Unidos, e o Superman, o herói clássico dos quadrinhos que não deixa de ser uma outra personificação do país.

O SuperSam: uma clara mescla entre o TioSam e o Superman

Mas o que se torna mais interessante nessa sátira é o seu conteúdo. O SuperSam que não é uma figura constante nos episódios, aparece em poucos episódios, sempre dotado de uma clara crítica a política externa norte-americana.
Isso porque, nos poucos episódios em que ele aparece, isso se dá quando alguém em perigo ao convocar o Chapolin com os dizeres clássicos de chamamento “Ohh, e agora quem poderá nos defender?!”, quem aparece é o SuperSam, de maneira “intrometida”, sem ter sido chamado, ou seja, perpassa claramente uma crítica ao típico intervencionismo americano, característica esta que sempre impulsionou os Estados Unidos a se “intrometerem”, intervindo nos mais variados assuntos de outros países, conforme a manutenção de seus interesses políticos e econômicos.

O SuperSam sempre "intervindo" no ambiente do Chapolin

O SuperSam não é mais do que uma sátira inteligente e certeira sobre essa mais do que reconhecida característica norte-americana. Um outro fator que corrobora na construção dessa crítica se dá na já dita vestimenta da personagem: além da roupa que mescla o TioSam com o Superman, o personagem possui como arma, uma grande sacola de dinheiro com “$”, a qual quando utiliza para bater emite o som característico de uma maquina registradora, e o personagem em questão, alegremente reproduz a frase: “Time is Money”, ou seja, “Tempo é dinheiro”, numa outra clara alusão ao pragmatismo da política externa americana, quase sempre visando um ganho capital, em detrimento de qualquer valor moral.
Assim, nos próprios episódios em que o “SuperSam” aparece, Bolaños procura deixar claro a sua crítica a esse intervencionismo americano. No primeiro episódio em que esse personagem aparece, a questão já fica bastante claro na exposição do título do episódio Livrai-nos dos metidos, Senhor!. 
Em outro episódio intitulado “História de uma mina abandonada prestes a desabar, a personagem de Florinda Meza ao convocar o Chapolin em uma situação de apuro, acaba tendo que lidar com o SuperSam, que aparece para "socorre-la". O curioso nesse episódio é que quando ele aparece, passa a tocar a canção Yanke Doodle, uma canção símbolo dos Estados Unidos. 

SuperSam e sua "arma": uma sacola de dinheiro

Enfim, em alguns outros episódios, a figura do SuperSam é recorrente sempre apresentado da mesma maneira: quando alguém em perigo chama pelo Chapolin, este aparecerá de maneira intrometida, causando a insatisfação do próprio Chapolin, que tem seu “ambiente” invadido.
Fica visto então que, por meio dessa curiosa e inteligente sátira, o genial Roberto Gomez Bolaños, apresentou a sua crítica a esta tão arraigada política externa norte-americana, e sendo Bolaños um mexicano, sabia muito bem o que era contar com a quase sempre “influência” desse eterno vizinho chato.

Ass: Rafael Costa Prata
Mestrando em História pela Universidade Federal de Sergipe




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